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Carlos
Drummond de Andrade
Em 1922 ganhou seu primeiro prêmio literário, por um conto intitulado Joaquim do Telhado. Em 1924 começou sua correspondência com Manuel Bandeira e pouco tempo depois com Mário de Andrade, que, segundo o próprio Drummond, exerceu grande influência sobre ele. Em 1928 saiu publicado, na revista Antropofagia, de São Paulo, o poema No meio do caminho, que causou furor. Teve uma produção literária bastante fecunda e seu último poema foi em 1987 - Elegia a um tucano morto - que fez parte de Farewell, último livro organizado pelo próprio poeta. Neste mesmo ano é homenageado com o samba-enredo da Mangueira - No reino das palavras - ganhador do Carnaval daquele ano. Em 1996 sai enfim Farewell, que acaba vencedor do Prêmio Jabuti. Para Drummond, a função do poeta é fazer versos e com esses versos "produzir emoção, é despertar no próximo um sentimento de beleza, de alegria, de tristeza - mas sobretudo um sentimento de comunhão com a vida", segundo ele mesmo afirmou em entrevista concedida a Edmilson Caminha, em janeiro de 1984, entrevista esta, aliás, imperdível para seus admiradores e que pode ser lida no site www.secrel.com.br. No entanto, ele não se furtou à chamada poesia social e à poesia engajada, como por exemplo, em A Rosa do Povo (1945) e Sentimento do Mundo (1940), que denunciava a ascensão do nazi-facismo. Drummond é um dos mais conceituados poetas brasileiros e produziu também textos em prosa. Há quem diga que ele foi o primeiro grande poeta pós-movimento modernista. É certo que em sua poesia se observa um grande rigor poético aliado a uma linguagem às vezes até coloquial. Considerada poesia da melhor qualidade, alguns temas são recorrentes, como o passado (representado muitas vezes pela cidade de Itabira). Além disso, o humor é traço sempre presente sem no entanto fazer com que o poeta abandone a sobriedade dos versos. Após sua morte foram descobertos alguns poemas eróticos que não eram conhecidos até então. E como mais do que mil palavras vale um exemplo, aí vai ele; no caso, um exemplo feito de palavras. Poema
de Sete Faces As casas espiam os
homens O bonde passa cheio
de pernas: O homem atrás
do bigode Meu Deus, por que
me abandonaste Mundo mundo vasto
mundo, Eu não devia
te dizer |
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