Camilo Castelo Branco

(Lisboa, 16 de março de 1825 - S. Miguel de Seide, 1º de junho de 1890)

A vida de Camilo Castelo Branco foi igualmente produtiva em relação a suas obras e trágica em relação a suas paixões. Filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, foi registrado como filho de mãe incógnita, pelo que se diz, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição. Ficou órfão de mãe aos dois anos e de pai, aos dez.

Casou-se muito cedo, aos 16 anos, com Joaquina Pereira de França. Nessa época, Camilo chegou a se matricular em medicina e em direito, mas não seguiu os cursos. Cinco anos depois de se unir a Joaquina, deixou-a grávida e fugiu com Patrícia Emília do Carmo de Barros para Coimbra. Por essa atitude, acabou sendo preso por bigamia. Ao sair da prisão, no entanto, Camilo apaixonou-se perdidamente por Ana Plácido, que era casada com um rico comerciante. A paixão de ambos foi fulminante e o marido traído instaurou um processo de adultério contra a esposa. Após cerca de quatro meses de prisão, Ana Plácido obteve sua absolvição e pôde finalmente se unir a Camilo. Os dois filhos do casal nasceram com sérios problemas de saúde. A família tinha muitas dificuldades financeiras, o que impulsionou Camilo para a literatura, sendo o primeiro escritor português a viver de seu ofício. Em 1888, Camilo começou a sofrer com os primeiros sintomas de cegueira, provocada por uma sífilis crônica. No verão de 1890, suicidou-se com um tiro na cabeça.

Camilo integra-se na corrente literária chamada de Ultra-Romantismo, mas desde o início da sua carreira tem um pendor realista, patente na importância que o dinheiro tem para as personagens, como garantia da sobrevivência humana e como forma de reconhecimento social. A visão realista camiliana é fruto da sua experiência de vida, sobretudo com a morte de seu pai.

Profissional de atividades múltiplas, Camilo foi bibliógrafo, biógrafo, comediógrafo, crítico, cronista, dramaturgo, filósofo, historiador, jornalista, linhagista, novelista, romancista, poeta, polemista, prefaciador e tradutor. Começou no jornalismo, mas a atividade em que se consagrou foi, sem dúvida alguma, a de produtor literário.

A bibliografia camiliana é de uma extensão impressionante. Sua vivência serviu de mote para os enredos de suas produções literárias e para a evolução de sua obra. Na escrita de Camilo estão presentes profundas contradições, oscilantes entre um idealismo e um materialismo, que se refletem em sarcasmo e numa ácida crítica aos costumes e comportamentos da sociedade da época. Há, ainda, a forte presença de um determinismo implacável.

A produção de Camilo Castelo Branco contém 137 títulos, que correspondem a 180 volumes, dentre os quais os mais conhecidos são Amor de Perdição, Amor de Salvação, A Brasileira de Prazins, A Queda dum Anjo e Coração, Cabeça e Estômago.


Leia um trecho de Coração, Cabeça e Estômago e conheça o estilo de Camilo Castelo Branco.

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