A literatura africana de língua portuguesa apesar de recente,
já carrega nomes fortes como Pepetela, Agostinho Neto, Mia
Couto, Luandino Vieira, Paula Tavares e Ondjaki. Dentre eles, Ondjaki
é o que mais vem se destacando no cenário literário,
e particularmente, em minha modesta coleção de livros.
Nascido em 1977,
em Luanda, capital de Angola, foi batizado como Ndalu de Almeida;
Ondjaki é uma palavra africana, que significa guerreiro
em umbundo (a língua de origem bantu é a mais
falada em Angola). Eu diria tratar-se de uma combinação
muito sugestiva e criativa entre nome e nacionalidade para alguém
que viveu em um país que guerreou por tantos anos em busca
de independência e para um autor que tem um estilo único
de escrever.
Prosador,
poeta embora seus poemas sejam publicados em menor intensidade
que as prosas e membro da União dos Escritores Angolanos
tem livros traduzidos para o francês, espanhol, italiano,
alemão, inglês, sérvio, sueco e chinês.
Dentre os vários prêmios que já recebeu, o mais
expressivo é o Prêmio JABUTI, na categoria juvenil,
com o livro AvóDezanove e o segredo do soviético,
em 2010.
Ondjaki
foge do estereótipo imaginado para um autor de literatura
africana, por ser branco e ter sotaque português. Mas isso
explica-se por conta da colonização portuguesa, que
também conferiu uma boa matéria-prima para as obras
do autor, as quais retratam a presença dos colonizadores,
as diversidades, as dificuldades passadas por conta das guerras
e do colonialismo, entre outros temas.
Essa mistura de assuntos pode ser encontrada no livro AvóDezanove
e o segredo do soviético, por exemplo. Em apenas uma
palavra, defino o livro como MÁGICO.
-
Estórias de antigamente é assim que já foram
há muito tempo?
- Sim, filho.
- Então antigamente é um tempo Avó?
- Antigamente é um lugar.
- Um lugar assim longe?
- Um lugar assim dentro.
(Trecho de Avódezanove e o segredo do soviético)
E
nesse jogo de palavras e nas memórias da infância é
narrada uma história que envolve personagens reais e inventados.
Esse mesmo processo se espalha no espaço e nas situações
resultando em uma história coesa, leve como a infância,
aprisionadora da atenção e reveladora de expressões
melódicas, como as lembranças são cócegas
invisíveis que ficam dentro das pessoas. Seu modo de
encantar vem na escrita carregada de cores, sons, imagens, que cada
leitor produz de uma forma individualizada, mas nem por isso, menos
intensa.
Um exemplo desse conjunto harmonioso está no poema Esperar
o Vento (trecho):
XII
vento
és a casa dos pássaros.
és o não-chão. nem tremor nem homens nem calor.
és o
aéreo que encandeia as nuvens e, num passo gêmeo, as
conduz.
és sedução genuína nessa textura que
usas no mar. os
pássaros te freqüentam erráticos porque também
és o
eco da poesia a estranha densidade de nada pisar.,
o não silencioso.
o silencioso.
és o deserto que chove sobre o mundo.
Tive
a honra de vê-lo e ouvi-lo pessoalmente na USP, em 2010, no
lançamento de seu livro Quantas madrugadas tem a noite;
durante o bate-papo, ele contou sobre o processo de criação
do livro e um ponto curioso em sua fala foram os créditos
dados aos velórios, pois, segundo ele, nesses ambientes sobra
inspiração para seus livros, devido a quantidade de
pessoas e conversas paralelas que acontecem regadas a uísque,
por exemplo.
Mas ele não tem apenas esses dois títulos publicados.
Clique aqui e veja os outros.
E para você se encantar ainda mais pelo sotaque, pelas palavras
e pelas ideias do autor, e ter vontade de começar a ler hoje
mesmo, fique com a entrevista concedida ao programa Entrelinhas,
da TV Cultura:
Clarice
Lispector: textos sem fatos, mas repletos de sensações Ninguém
trata de temas como a família, o amor, a relação
interpessoal com o mistério e grandeza que ela trata.
Vinícius
de Moraes: versátil e realizador Vinícius
foi poeta, crítico de cinema e compositor. Ainda teve
disposição para casar-se nove vezes e ter cinco
filhos.
Castro
Alves, o poeta da liberdade Castro
Alves foi um poeta perfeccionista. Corrigia os versos com apuro,
a fim de torná-los cada vez mais esmerados. Sua poesia
social tinha como tema central o combate à escravidão
e sua poesia lírica elegeu como temas a loucura e a morte.
Érico
Veríssimo - o contador de histórias Quem
não se lembra de Glória Pires no papel de Ana
Terra? Ou do Capitão Rodrigo Cambará, tão
bem vivido por Tarcísio Meira na minissérie
O Tempo e o Vento, produzida pela Rede Globo? No caso,
a grande obra que a inspirou foi o romance homônimo
do escritor gaúcho Érico Veríssimo.
Júlio
Verne - um aventureiro Júlio
Verne foi um escritor dotado de uma prodigiosa imaginação,
de um grande espírito de aventura e de largos conhecimentos
sobre geografia, climatologia, vulcanismo, correntes marítimas,
ventos e tudo o mais que possa interessar a um intrépido
viajante.
Carlos
Drummond de Andrade Drummond
é um dos mais conceituados poetas brasileiros e produziu
também textos em prosa. Há quem diga que ele foi
o primeiro grande poeta pós-movimento modernista.
Fernando
Pessoa Conhecido
como um dos grandes nomes da literatura portuguesa, teve uma
criação artística abundante, atribuída
a seu próprio nome e a seus heterônimos. Leia mais
sobre esse gênio da literatura.