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Castro Alves, o poeta da liberdade

Por Márcia Busanello

Antônio de Castro Alves, o poeta dos escravos, nasceu dia 14/03/1847, na fazenda de sua família, próximo à cidade de Curralinho (Estado da Bahia), cidade que foi rebatizada e hoje leva o nome do filho ilustre. Filho do médico Antônio José Alves e de dona Clélia Castro, tinha 5 irmãos (dois homens e três mulheres).

Aos sete anos de idade, começou a estudar em Salvador e, aos 16, foi para o Recife a fim de tentar estudar Direito. Depois de uma reprovação no preparatório, finalmente conseguiu inscrever-se no curso, ao mesmo tempo em que nele já começava a despontar o poeta. Datam dessa época seus primeiros poemas, mas desde criança ele gostava de falar em público e recitar.

Era apaixonado pelo teatro. Sua maior inspiração foi o autor francês Victor Hugo (autor de, entre outras obras, Os Miseráveis). Em 1863, publicou seu primeiro poema contra a escravidão: A canção do africano. Em 1864, escreveu o poema Mocidade e Morte, fruto, possivelmente, da descoberta de sua doença (tuberculose). Após isto, já começava a alçar vôos mais altos e escreveu seus dois principais poemas: O Navio Negreiro, que conta o horror ao qual eram submetidos os escravos nos navios que os traziam da África para o Brasil, e Vozes d'África, que traz o continente africano expondo a injustiça e a desumanidade com as quais é tratado e pedindo clemência divina.

Castro Alves foi um poeta perfeccionista. Corrigia os versos com apuro, a fim de torná-los cada vez mais esmerados. Sua poesia social tinha como tema central o combate à escravidão e sua poesia lírica elegeu como temas a loucura e a morte, temas que, a bem da verdade, eram comuns à época, mas ele, especialmente, os viveu na carne: além da certeza da morte que a tuberculose lhe dava, um irmão do poeta já havia se suicidado após um período de tratamento mental. Mas apesar de ter a morte como tema, ele foi diferente dos poetas da geração romântica que o antecedeu, pois seus poemas deixavam transparecer uma vontade enorme de viver. Essa vontade, em oposição à certeza da morte iminente, produziu uma poesia cheia de antíteses.

Em 11 de agosto de 1865, o poeta obteve seu primeiro grande sucesso público recitando O século. Em 1866, ele passou a viver com Eugênia Câmara, atriz que, diz-se, foi o grande amor de sua vida. Nesta época, fundou, com Rui Barbosa, uma sociedade abolicionista.

Em 1867, mudou-se com Eugênia para Salvador, decidido a encenar Gonzaga, peça de sua autoria. Seu plano se concretizou no dia 7 de setembro, no Teatro São João, quando a peça, de cujo elenco participava Eugênia, alcançou enorme sucesso. O autor foi ovacionado e carregado em glória pela platéia.

Decidiu prosseguir o curso de Direito em São Paulo, uma vez que o havia interrompido quando havia se mudado para Salvador. Nesta viagem, passou pelo Rio de Janeiro e conheceu José de Alencar, que por sua vez o apresentou a Machado de Assis. Tanto um quanto outro escreveram crônicas favoráveis a Gonzaga, publicadas no jornal Correio Mercantil. Assim, quando o poeta chegou a São Paulo, já o precedia certa notoriedade. A peça seria, mais tarde, encenada por Joaquim Augusto, o maior ator da época.

A vida com Eugênia não ia bem e eles acabaram por se separar. Numa caçada, Castro Alves levou, acidentalmente, um tiro no pé, que nunca sarou de todo e o obrigou a amputar uma parte da perna. Enfraquecido, acabou pegando tuberculose, a doença maldita da época. Voltou para Salvador, a fim de ficar ao lado da família, e começou a reunir seus poemas num livro intitulado Espumas Flutuantes, que saiu em novembro de 1870. O poeta morreria menos de um ano depois, em 6 de julho de 1871, não sem conhecer a glória devida a seus versos.

A vontade do poeta não era a de ser conhecido como o poeta dos escravos, mas sim como o poeta da liberdade. Lutar contra a escravidão e pela liberdade de todos os homens era uma razão de existência para Castro Alves.

Saiba mais:
www.projetomemoria.art.br
www.secrel.com.br/JPOESIA

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