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Ontem a sala dos mestres da EE Faraó Ramsés estava mais agitada que guizo de palhaço: a professora Almerinda, mal pôs os excessivos pés lá dentro, já começou a chamar a atenção dos colegas para um desenho que não fazia jus a seu perfil grego (de Pindamonhangaba). Ela explicou: Os professores, curiosos, disputaram o papel como se fosse um cheque de um milhão de dólares, até que o dito-cujo chegou ao professor Cincinato, de Geografia. Este mirou-o, com minúcia, depois disse: Almerinda lançou-lhe um olhar tão pontiagudo que, se não fosse a barreira de seus óculos de grossas lentes, teria varado a língua do colega. O desenho, tosco, revela indecisão de traços. O nariz, por exemplo, lembra mais uma tomada do que o órgão do olfato. Além disso, as cores nem se aproximam da textura da pele humana. Nem como expressão fauvista pode ser levado em conta. A professora substituta Pilar da Cruz veio defender, frontalmente, a colega: Se o desenho está bom ou mau, isto não vem ao caso. A atitude do aluno é que importa. Desrespeitou duplamente a professora, não se importando com sua explanação nem com seu amor-próprio. No lugar dela, eu teria levado o Picasso da Favela Marcolino à diretoria, para que o professor Calheiros convocasse os pais do infeliz. A professora Shirley Temple da Silva, de Educação Física, a última a ver o desenho, sugeriu maneirosa hipótese: Almerinda, diante de tantas controversas opiniões, começou a se irritar com os colegas, a se avermelhar como um vulcão, prestes a soltar um sonoro impropério, mas outro barulho mais poderoso cobriu todas as palavras: a sirene do fim do recreio. A professora de História recolheu o desenho, guardou-o no diário de classe e ficou ruminando uma vingança, enquanto se dirigia à sala de aula. Às suas costas o professor Gabi, de Ciências, comentou com os seus botões (do guarda-pó): Ao Mestre com Carinho Nº 22 - Junho de 2000 |
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