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A EE Carlos Magno está festiva: seu diretor, Theophilo Schiavo, aposenta-se após décadas de desilusões funcionais, úlcera e gravatas de todas as cores. Mas a ocasião não é propícia a ressentimentos, por isto ele resolve se descontrair à mesa da sala dos professores, toda enfeitada de brigadeiros, sorrisos matronais, salgados, rosas e ponche. O professor Lomelino, de Matemática, em nome de seus colegas, faz um discurso gago saudando o homenageado que, para retribuir o clima de alegria, resolve contar, com o fundo musical de suas vibrantes dentaduras duplas, um episódio de sua longínqua infância. Theophilo relata que era um garoto robusto e prestativo, por isto foi convocado por padre Taumaturgo, seu professor de Educação Religiosa no grupo escolar, para conduzir um pesado crucifixo metálico durante a procissão da Semana Santa. Após o evento, em conversa com o vigário, o suado Theophilo, a propósito de nada, começou a falar de valentias; então não pôde furtar-se de dizer: Padre Taumaturgo, surpreso, não sabia se arrebentava o hissope na cabeça de Theophilo ou ria... Todos, na sala dos professores, optam pelo riso. Mas Theophilo aposenta-se precariamente. Sua esposa, quando o reumatismo der uma folga, terá que vender, com valentia, pastéis de banana na rodoviária. Ao Mestre com Carinho Nº 21 - Maio de 2000 |
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