Para
o professor, o trabalho mais nobre
"O professor que adota métodos didáticos ultrapassados está enganando seus alunos. Deveria ser punido pelos órgãos de defesa do consumidor por estar oferecendo um produto tecnologicamente obsoleto." A opinião do diretor-adjunto do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona, o professor-doutor Serafí Antúnez, pode chocar num primeiro momento mas é um alerta que vem sendo brandido já há algum tempo por educadores e especialistas nacionais e internacionais sobre o papel do professor.
Hoje, segundo Litto, o papel do professor é mais importante do que foi no passado, quando o professor tinha como seu papel a entrega de informação para o aluno, escrevendo na lousa, passando a lição de casa. "Tem nobreza intelectual nisso? Nenhuma. Ele era um repetidor e não criador de novo conhecimento", analisa. Na opinião do especialista, ao invés de perder tempo jogando informação para o aluno, "como dono da verdade", agora o professor tem a tarefa de organizar atividades que façam com que os alunos aprendam. "Dentro de uma filosofia construtivista, que faz com que os alunos realizem projetos de biologia, química, história, português, e vão construindo tijolo por tijolo o edifício de seu conhecimento individual", explica. As gincanas, caças ao tesouro e atividades que envolvam a solução de problemas, segundo o professor, são tarefas que podem garantir ao aluno entender os princípios profundos de todas as disciplinas. "Se o professor joga as informações para eles da forma tradicional, eles não compreendem em profundidade e não têm interesse em aprender. Memorizam as informação para satisfazer o professor na prova, satisfazer os pais ou para passar no vestibular. Isso não tem nada a ver com educação", diz.
Gostar de viver No Instituto Madre Mazzarello, em São Paulo, os 100 professores do corpo docente devem estar disponíveis e abertos para fazer cursos e enriquecer seus currículos. Segundo a irmã Maria Helena de Souza, a atualização permanente dos professores é prioridade para a direção da escola e para os 2010 alunos e seus pais. Na escola estadual Augusto Ribeiro, dirigida pela professora Marisilda Achcar, professores bem entrosados e motivados tem sido a receita para uma educação de qualidade. No Colégio Bandeirantes, a chave do sucesso também tem sido a capacitação de seus professores. Segundo Mauro Aguiar, diretor-presidente da escola, 3% da receita do Bandeirantes R$ 25 milhões este ano são investidos em programas de capacitação do corpo docente. Vera Wey, da Cenp-Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria Estadual de Educação, também afirma que professores comprometidos com o projeto pedagógico da escola são mais importantes do que computadores e laboratórios modernos. Única fonte de saber
Segundo Litto, não dá mais para o professor ver o seu trabalho como "entregador de informação, de conhecimento", como ele foi no passado, escrevendo na lousa: "Primeiro, porque ele faz seleção, que é uma filtragem, que não é bom para o aluno que tem o direito a ver o todo e selecionar o que é interessante para ele". Outra coisa: com tanta informação, não dá para condensar isso em 90 minutos de aula. A Internet e CD roms, que contêm grandes acervos de informação factual, de textos, imagens e sons é uma forma de conter e disponibilizar a informação muito mais eficiente do que foi no passado, com o cuspe e o giz, o professor e o livro-texto. Isso acontece, segundo Litto, porque no Brasil, que é um país pobre mas 90% das casas têm televisão com controle remoto, "o aluno está acostumado com o mundo interativo, se não gosta do programa, aperta o controle remoto e muda. Quando ele vai para a escola e não gosta do estilo do professor e da matéria, ele também quer apertar o controle e mudar de professor", acrescenta. O professor tem que mudar aquilo que faz na sala de aula: quem tem que fazer o trabalho é o aluno porque só assim, se o aluno faz a descoberta do conhecimento, aquela informação fica com ele o resto da vida. Se o professor joga o conhecimento ele continua pertencendo só ao professor.
Fonte: professor Fredric Litto As escolas de 1º e 2º graus, diz Fredric Litto, estão mudando muito mais rápido do que as universidades, no mundo todo: "O corpo docente das universidades são os setores mais conservadores e reacionários da educação". Isso está acontecendo "porque a meninada não tem mais paciência com o professor do passado, porque eles estão caminhando com seus próprios pés". Isso tem uma vantagem, na opinião do especialista: "Agora o professor tem tempo de fazer trabalho mais nobre, o de ser o conselheiro, o guia do aluno, ajudar o aluno a ler as entrelinhas do texto poético, literário ou de história, a interpretar sutilezas. Porque tem certas coisas que a tecnologia não resolve. Só mesmo o professor, com o braço em torno do aluno dizendo olha meu filho, pode ser asssim, ou assim...." |
|
|
|
|
|
|