| "O
problema da alfabetização não está no método,
está na falta de estrutura das escolas" Fonte: Cristiane Capuchinho, da USP Online No início de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou uma lei que amplia o ensino fundamental de oito para nove anos, tendo início a partir dos seis anos da criança. Por conta dessa mudança, será feita a revisão dos Parâmetros Curriculares Nacionais - diretrizes seguidas pela escola sobre o conteúdo curricular de cada série escolar, justificada pelos altos índices de repetição na 1ª série primária, que poderiam ser resultado de uma metodologia de alfabetização falha. Com isso, volta à discussão sobre a eficiência do método construtivista, em relação ao fônico. O método fônico implica o uso da cartilha e o ensino da língua a partir da correlação entre fonemas e sílabas. Considerado ultrapassado por fazer uso do ensino por repetição, o parâmetro foi trocado pelo chamado sócio-construtivismo, em que as crianças experimentam a língua primeiro como um elemento do seu cotidiano, através de leituras e histórias contadas. Para falar sobre alfabetização, o USP Online procurou a professora Tizuko Morchida Kishimoto, titular do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação (FEUSP) e com sua área de pesquisa em educação infantil. Nessa entrevista, a professora fala sobre os problemas na adoção da metodologia construtivista por parte do governo e na falta de preparação por parte dos professores. Com o pedido
de revisão dos Parâmetros Curriculares Nacionais pelo Ministro
da Educação, começa o debate sobre a eficiência
do método construtivista de ensino. Como a senhora vê essa
questão? A crítica está no método quando o problema está na estrutura, na falta de estrutura. O nosso sistema público de ensino tem inadequações estruturais em vários pontos, por exemplo: excesso de crianças. Nós temos um professor para 40 crianças. Além disso, o professor está em uma escola que já é desestruturada porque só tem mesa e cadeira. Na educação infantil não se pode se trabalhar só com mesa e cadeira. O que seria necessário
para melhorar a qualidade desse ensino infantil à maneira do
sócio-construtivismo? Para a recepção
de crianças de seis anos em escolas de ensino fundamental, que
tipo de preparação a escola precisa passar? Além disso,
crianças dessa idade não sabem ler e escrever ainda. Então
é através da linguagem oral, através das brincadeiras,
através da grafia dos desenhos, até gradativamente chegar
à escrita. É importante você dialogar com a criança
para ela te explicar o significado dos grafismos dela. Todo esse processo
tem que ser feito nessa passagem. E daí
a necessidade da redução no número de crianças? Uma das razões
apresentadas para que o método de alfabetização
seja repensado, é o alto índice de repetência na
1ª série. Quando o método construtivista é
utilizado adequadamente, os números se repetem? A concepção
que esses professores e essa política têm da criança
é que basta a criança sentar, e eu dar uma cartilha e
fazer cópias, assim ela vai aprender. Como se a criança
fosse uma tabula rasa. A criança não é um mini
computador, ela vai além, ela sempre pensa mais. Os professores
estão preparados para a educação segundo esse método
construtivista? Os cursos de Pedagogia não têm disciplinas que ensinam o professor a desenvolver uma prática. Tem uma carga de estágio muito pequena, e o estágio não é acompanhado. E a formação do professor deveria ser tão rigorosa para ter um professor acompanhando o estágio do aluno, e um supervisor lá na escola acompanhando. Então
esse professor que está se formando aprende a prática
com um professor de escola defasado? Que alterações
se fazem necessárias para a aumentar a qualidade de ensino? Dessa forma,
a ampliação para nove anos de ensino fundamental vai representar
uma mudança realmente? Quais seriam
as suas sugestões? |
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