Lendas urbanas que correm na Internet atualizam velhos temores da humanidade

Fonte: Agência USP de Notícias (Leandra Rajczuk )

Uma pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP mostra que grande parcela da população ainda não tem acesso à internet.

"Em 2007, cerca de 70% dos brasileiros nunca havia acessado a internet", afirma a jornalista Mariana Reis Balboni. Autora do estudo Por detrás da inclusão digital: Uma reflexão sobre o consumo e a produção de informação em centros públicos de acesso à Internet no Brasil, Mariana acredita que apenas o aumento dos investimentos em educação poderá garantir acesso à rede mundial dos chamados "excluídos digitais".

Para a jornalista a exclusão digital é somente mais uma vertente da exclusão social. Para combatê-la não basta o acesso à internet, mas sim um plano nacional de inclusão digital que leve em consideração o investimento em capacitação tecnológica e no letramento de novos usuários de internet.

O foco do estudo foram os centros públicos de acesso (CPAs) gratuito à internet chamados de telecentros comunitários e operados unicamente pelo governo, independente das denominações diferenciadas que os mesmos possuem localmente.

Identificando interesses
Os temas investigados foram o conceito de Inclusão Digital (ID), os objetivos dos programas de ID, o impacto da internet no consumo e na produção de informação, a contribuição dos programas de ID para os desenvolvimentos social, econômico e político das comunidades de baixa renda (oportunidades de geração de renda e emprego, de educação, acesso à informação e cultura, articulação social e cidadania) e os benefícios para a comunidade. Foram identificados também os interesses políticos e econômicos por trás da inclusão digital.

No caso de monitores e internautas, o simples acesso à internet representa uma mudança significativa na sua relação com o mundo, mesmo que a rede seja usada como um simples instrumento de comunicação mais direta e geral. "Coordenadores e gestores possuem aspirações mais amplas com relação ao potencial da ferramenta", aponta. "O abismo entre as expectativas indica o sério problema da escolaridade no País".

A questão do letramento e da apropriação tecnológica, necessárias para a produção do conhecimento, permanecem como pontos centrais a serem solucionados num País em desenvolvimento e que possui sérios problemas sociais, como o Brasil. "A pesquisa mostra como o simples acesso não garante que a informação seja processada, assimilada, e que se transforme em conhecimento", explica.

"Mais do que fornecer acesso a computadores conectados à internet, o grande desafio da inclusão digital é possibilitar que a população de baixa renda, ou com poucas oportunidades de acesso a esses recursos, utilize esta tecnologia e as informações que nela circulam em seu benefício para transformar a sua realidade e a da comunidade onde vive."

Cenário da exclusão
De acordo com a pesquisa, apenas 15,6% da população mundial possui acesso à internet, sendo que na América do Norte e Europa, 66% da população tem acesso à rede. Na América Latina e África as taxas de penetração da internet são 15,5% e 3,6%, respectivamente. (Fonte: Information Economy Report da ONU, 2006).

Ainda segundo o estudo, no Brasil 67% da população - pouco mais de 100 milhões de brasileiros - nunca acessou a rede. Entre os internautas, apenas 15,5% são das classes D e E, percentual que representa 7,9 milhões de pessoas. (Fonte: CGI.br, 2006).

Para a pesquisadora, "os centros públicos de acesso, em especial, os comunitários, continuam sendo um ponto de apoio importante para os jovens e sua comunidade, contudo novas formas de inclusão precisam ser desenvolvidas para abarcar também a grande quantidade de adultos e iletrados que parecem não se sentir à vontade nestes ambientes de acesso."

22/4/2008
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