Universidades Corporativas e a Educação Formal

Fredric M. Litto (Presidente ABED)
26 de novembro de 2006

Fonte: www.educor.desenvolvimento.gov.br:80/docs/Credenciamento_UCs_parecer_litto.pdf

Acredito que seria de interesse das universidades corporativas no Brasil acompanhar de perto todo o desenvolvimento de políticas relativas à aprendizagem a distância por parte do Ministério da Educação (MEC), porque representa uma oportunidade de fortalecimento de programas de capacitação do capital humano nas organizações.

A nova legislação tratando do credenciamento de programas de educação a distância (de dezembro de 2005) é bastante progressista; embora concentrando seu foco em programas oferecidos por universidades convencionais, abre a possibilidade de instituições não normalmente consideradas como sendo do mundo do "ensino" podendo solicitar do MEC autorização para oferecer cursos de pós-graduação nas suas áreas de especialidade, e, após demonstrar bons resultados do ponto de vista acadêmico, podem ser credenciadas pelo MEC para outorgar títulos com o mestrado e o doutorado.

Evidentemente, o nível de desempenho de tais cursos inicialmente teria que ser da mais alta qualidade para ultrapassar o preconceito comum no mundo acadêmico de que empresas que visam lucros, dificilmente, poderiam realizar programas que educam, indo muito além do mero treinamento. Mas, uma vez conseguindo satisfazer as exigências de qualidade do MEC, fica aberta para a universidade corporativa começar a oferecer aos seus funcionários mais graduados a oportunidade de obter da empresa qualificação cuja validade é reconhecida pelo mundo educacional. Essa atração em potencial (um título de "especialista" ou "mestrado") aumenta a motivação dos funcionários para aprendizagem continuada, e estimula sua participação ativa em todas as atividades educativas da organização. Não vai demorar chegar o dia quando as universidades convencionais aceitarão os créditos de cursos avançados ealizados por universidades corporativas, e vice-versa. Em vez de dois mundos existindo, paralelamente, mas em isolamento um do outro, vejo o grande potencial na sinergia e na colaboração profunda e profícua entre os programas educativos das universidades convencionais e as corporativas, desenvolvendo conteúdos de cursos e pesquisas em conjunto, realizando cursos com equipes de docentes de ambos os mundos, e inovando estratégias novas de aprendizagem baseadas nas experiências adquiridas por ambos os lados.

Relacionado a esse tema é a questão da duplicação de esforços no desenvolvimento de conteúdo para os cursos brasileiros na modalidade à distância, tanto aqueles feitos em instituições convencionais públicas e particulares, quanto aqueles feitos em entidades corporativas. Há considerável redundância e duplicação de esforços, uma vez que há bastante sobreposição de assuntos-no mínimo, haverá possibilidade de intercâmbio e compartilhamento de conteúdos por setor de atuação (como, por exemplo, indústria química, auditoria, transportes, e outros).

A ABED, que reúne pessoas físicas e jurídicas oriundas das instituições convencionais e corporativas, me parece uma entidade perfeita para abrigar um "clearinghouse" (ou "câmara de compensação") para conteúdos re-utilisáveis por parte de programas de aprendizagem a distância de todos os tipos, podendo servir como "depositário fiel" dos conteúdos que outras organizações, públicas e particulares, querem compartilhar com seus congêneres, como "refertária", indicando aos interessados onde está o conteúdo aproveitável para re-uso, ou como lugar neutro e seguro para facilitar a formação de parcerias entre entidades dos mais variados tipos. A ABED gostaria de assumir o papel de facilitador de parcerias no desenvolvimento de conteúdos para a educação a distância, unindo os mundos acadêmicos e corporativos num esforço de racionalização do trabalho, com a eliminação de duplicação desnecessária.

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