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Presença
de pais no pré-natal é gratificante

Fonte:
Agência USP (Luiza Caires)
Uma pesquisa realizada
na Escola de Enfermagem da USP analisou a experiência de homens
que participam como acompanhantes no cuidado pré-natal e demonstrou
que esta presença pode ser extremamente gratificante para os
futuros pais.
Em sua vivência profissional, a enfermeira e professora universitária
Miriam Aparecida de Abreu Cavalcante observou que as mulheres são
a maioria nas salas de espera dos serviços públicos de
saúde, onde acompanham filhos e outros familiares ou vão
para consultas. No caso de gestantes, é comum e considerado aceitável
que a mulher vá sozinha aos postos de saúde realizar os
exames pré-natais. Nesse cenário, é sempre
rara a presença de um acompanhante, quando não desestimulada
ou até mesmo proibida. São raríssimas as situações
em que se solicita a presença do companheiro, geralmente para
comunicar intercorrências como existência de doenças
sexualmente transmissíveis que demandam tratamento não
só da mulher, ou de situações de agravo da saúde
da gestante, explica.
O estudo de Miriam foi realizado na maternidade e ambulatório
Amparo Maternal, localizada na cidade de São Paulo, onde a enfermeira
percebeu uma maior quantidade de homens acompanhando as gestantes. Foi
quando ela buscou, por meio da pesquisa, entender o que os levava às
consultas, como se sentiam e como eram recebidos pelos profissionais
que atendiam as mulheres.
Foram realizadas entrevistas com homens de diferentes profissões,
níveis de escolaridade e faixa etária entre 21 e 35 anos
de idade, residindo ou não com a gestante. Os resultados mostraram
que, ao acompanhar a mulher grávida nas consultas pré-natais,
o homem vivencia o período gestacional no contexto das relações
de gênero tradicionais e, ainda, se prepara para a paternidade.
Os pais entrevistados relataram serem muito bem atendidos no Amparo
Maternal, e que consideravam um privilégio poder acompanhar a
mulher, já que em outros locais a sua presença não
foi permitida e o pai se sentiu excluído.
Alguns pais têm receio do que possa acontecer nas consultas, pois
acreditam que ali podem ocorrer situações constrangedoras.
Quando percebem que são procedimentos simples, e inclusive
prazerosos como é o caso do exame preferido de todos,
o ultrassom ficam muito contentes, revela Miriam.
Os homens relatam que a emoção é maior na gravidez
do primeiro filho. A maioria demonstra satisfação em acompanhar
a mulher nas consultas, mas há relatos de homens que se sentem
entediados durante o período gestacional, pois vêem que
as orientações dos profissionais são focadas no
cuidado com a mulher e com o bebê, mesmo que se saiba que a gravidez
também traz restrições e mudanças aos homens.
A enfermeira ressalta que, além de a experiência de comparecer
aos pré-natais ser benéfica ao homem e motivá-lo
a participar nos cuidados do filho e da gestante, a aceitação
do bebê pelo companheiro é muito importante para a mulher.
Assim, os serviços de saúde deveriam estimular a presença
deles nestas ocasiões. É necessário que não
se perceba a mulher como única responsável na gravidez.
Mesmo não havendo mais um relacionamento afetivo entre o homem
e a mulher, eles podem ter esta cumplicidade, como aconteceu com um
dos entrevistados da pesquisa, que entendia que a gravidez era conjunta,
mesmo os pais não estando mais juntos. Além disso,
a pesquisadora destaca que o acompanhante na consulta é um direito
da usuária do serviço de saúde e ela é quem
tem a opção de autorizá-lo ou não.
19/11/2008
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