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Pesquisa
traça perfil da violência física familiar em São
Paulo

Fonte:
Agência Fiocruz (Renata Moehlecke)
Um
estudo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) determinou
o perfil epidemiológico da agressão física familiar
no município de Araçatuba (SP).
Foram
analisadas 7.750 ocorrências registradas na Delegacia de Defesa
da Mulher da região entre os anos 2001 e 2005, sendo que 1.844
desses registros estavam relacionados à violência
física intrafamiliar. A pesquisa, publicada na revista Cadernos
de Saúde Pública da Fiocruz, concluiu que 81,1% das agressões
ocorrem entre casais, 11,6% entre pais ou responsáveis e filhos
e 7,3% entre outros familiares.
Foi possível traçar o perfil tanto da vítima
quando de seu agressor, mesmo que este se limite aos casos registrados
pelas ocorrências policiais, explicam os autores da pesquisa
no artigo. Tais informações podem ajudar a compreender
as circunstâncias em que ocorreu a violência, contribuindo
para a prevenção e enfrentamento do problema.
Os resultados também apontaram uma maior freqüência
de agressões entre casais nos finais de semana (38,9%), sendo
o ciúme o motivo mais relatado (21,5% dos casos). Além
disso, nos três grupos estabelecidos - casais, pais e filhos,
e outros familiares -, o período entre 12h e 24h teve o maior
número de registros. O atual companheiro foi o agressor
mais freqüente no primeiro grupo e os pais no segundo, embora em
mais de um quinto dos casos tenham sido os filhos que agrediram
os responsáveis. Os irmãos prevaleceram entre os
agressores no terceiro grupo. Cerca de um quarto a um quinto
dos agressores estava alcoolizado no momento da agressão,
afirmam os pesquisadores.
A pesquisa ainda revelou que a maior parte das agressões aconteceu
em casa e que 98,3% dos agressores eram homens, enquanto 98,7%
das vítimas foram mulheres. Outro dado destacado foi que,
quando as agressões ocorrem entre pais e filhos, crianças
e adolescentes representam grande parte das vítimas: 34,3% e
33,8%, respectivamente, predominando as meninas entre os adolescentes.
Em relação à faixa etária, considerando
ambos os sexos, indivíduos mais jovens, com idade entre 20 a
34 anos, predominam como agressores (43,7% dos casos). Eram adolescentes
3,8% dos agressores e 5,2% das vítimas tinham idade maior ou
igual a 60 anos, comentam os pesquisadores.
Nos três grupos verificados, os laudos médicos se mostraram
semelhantes. As lesões, em sua grande maioria, eram leves
e localizavam-se, principalmente, na cabeça e nos membros superiores,
sendo as equimoses e as escoriações os tipos de lesões
mais freqüentes, relatam os autores. Poucas vítimas
referiram ter procurado atendimento médico, sendo grande o número
de laudos sem esta informação.
Os pesquisadores esclarecem que iniciativas de cooperação
entre diversos setores, como saúde, educação,
serviços sociais, justiça e política,
são indispensáveis para resolver o problema da violência.
Mas, para que se possa planejar e desenvolver ações
voltadas à prevenção dos casos e à assistência das
vítimas de violência familiar, são necessários
dados que permitam visualizar e compreender a situação,
concluem.
02/10/2008
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