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Suicídio:
a morte como solução

Fonte:
Agência USP (Antonio Carlos Quinto)
Em
algum momento da vida, o pensamento suicida já passou pela cabeça
de diversas pessoas. Segundo uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que
avaliou 1.464 pessoas da população em geral, cerca de
3% delas já tentou o suicídio. O diferencial de
nosso estudo é que realizamos uma análise multivariável,
ou seja, cruzamos ao mesmo tempo vários dados como gênero,
idade, status marital, escolaridade e a depressão, distimia e
uso de álcool e drogas, diferentemente de outras pesquisas sobre
o tema, explica o médico psiquiatra Bruno Mendonça
Coêlho, autor do estudo.
Esta análise multivariável permite uma investigação
mais refinada dos comportamentos suicidas. Na maioria dos estudos, o
suicídio é analisado cruzando apenas duas variáveis
por vez, como por exemplo, o risco em relação ao
sexo ou em relação a doenças psiquiátricas.
Com o cruzamento de diversos dados ao mesmo tempo, o médico pôde
constatar que a depressão, e principalmente a distimia, associada
ao abuso ou dependência do álcool, aumenta a ocorrência
de idéias, planos e tentativas de suicídio. A distimia
é um tipo de transtorno depressivo que é visto em geral
como mais leve, porém por ter maior duração e melhorar
menos com o tratamento, seu impacto na vida da pessoa é grande,
descreve o médico, lembrando que cerca de 90% dos suicídios
estão relacionados a doenças psiquiátricas.
Mulheres mais suscetíveis
Segundo Coêlho, as pessoas envolvidas no estudo foram selecionadas
na área de captação do HC. Elas não estavam
necessariamente em tratamento no IPq e foram entrevistadas em suas próprias
casas. Os dados foram coletados numa ampla pesquisa, realizada em 2002,
pela doutora Laura Andrade, uma das autoras do trabalho atual.
Uma das constatações do estudo é que as mulheres
tentam o suicídio quase três vezes mais em relação
aos homens. Entre os entrevistados, 16,5% já tiveram depressão
em algum momento da vida. Em relação aos transtornos pelo
uso de álcool e drogas, excluindo o tabaco, os percentuais chegam
a 5,5% e 1,1%, respectivamente, detalha o médico. A constatação
permitiu a Coêlho avaliar que a depressão esteve presente
em mais pessoas e, por isso, acaba tendo um peso populacional maior
em relação aos comportamentos suicidas. Se dividirmos
por gênero, 14,6% dos homens e 20,7% das mulheres já tiveram
depressão em algum momento da vida, lembra o médico.
Em relação a distimia, também avaliada no estudo,
o percentual chegou a 4,3%, ao longo da vida dos entrevistados. Neste
caso, na divisão por gênero, as mulheres ficaram em 4,7%
e homens em 3,7%.
Análise detalhada
Coêlho lembra que seu estudo não estabelece um novo modelo
de diagnóstico, mas enfatiza a necessidade de se investigar ativamente
sintomas depressivos naqueles pacientes que apresentam problemas com
o uso do álcool. Eles estão mais expostos ao risco
de apresentarem comportamentos suicidas, alerta o médico.
É comum se dizer que uma pessoa usuária de álcool
tentou se matar por causa da bebida. A análise deve ser muito
mais detalhada e em muitos aspectos, aconselha.
O médico informa que no Brasil a taxa de suicídio é
de 4,5 para cada 100 mil habitantes, anualmente. Em 2004 tivemos
7.987 mortes por suicídio, ou seja, 0,8% do total das mortes.
A taxa global de suicídio em nosso país cresceu 21% nos
últimos 20 anos, entre 1980 e 2000, conta. No entanto,
ele lembra que os números não são precisos devido
à subnotificação dos óbitos por suicídio.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3
mil pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa
que a cada 30 segundos uma pessoa se mata. Anualmente, são contabilizados
no mundo cerca de 1 milhão de suicídios e projeta-se que
este número chegue a 1,5 milhão em 2020.
16/9/2008
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