| Insatisfação
Precoce
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Fonte: Agência Fapesp (Thiago Romero) Um
estudo epidemiológico que analisou 1.183 alunos de 6 a 18 anos, matriculados
no ensino fundamental e médio de 20 escolas em Belo Horizonte, apontou
que a maioria dos estudantes apresenta insatisfação com o próprio
corpo. Dos alunos entrevistados, 62,6% estavam insatisfeitos com o próprio
corpo, embora mais de 80% do total estivesse dentro do peso normal. Cerca de 34%
gostariam de ser mais magros e 29% de ganhar peso. Entre os insatisfeitos, 32%
eram homens e 30,6% mulheres.
O trabalho foi realizado por Ana Elisa Ribeiro
Fernandes, médica pediatra do Hospital das Clínicas da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG), e apresentado como dissertação de
mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG.
Os dados utilizados pela
pesquisadora são de estudos conduzidos pelo especialista em cardiologia
pediátrica da Fundação Hospitar do Estado de Minas Gerais,
Robespierre Queiroz da Costa Ribeiro, coletados por meio de entrevistas em 16
escolas públicas e quatro privadas na capital mineira por uma equipe de
alunos de graduação da Faculdade de Medicina da UFMG.
A
idade dos alunos foi dividida em quatro grupos: crianças (6 a 9 anos),
adolescência precoce (10 a 13 anos), adolescência média (14
a 16 anos) e adolescência tardia (17 a 18 anos).
"O que mais
chama a atenção é que não houve diferenças
estatísticas significativas de acordo com a idade. O nível de insatisfação
corporal foi praticamente o mesmo entre as crianças de 6 anos e os adolescentes
de 18 anos", disse Ana Elisa. Influências
familiares Ana Elisa analisou ainda dados sobre peso, altura, níveis
de sedentarismo e hábitos alimentares das crianças e dos adolescentes.
De acordo com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), 5,2%
dos alunos eram desnutridos, 9,9% tinham sobrepeso, 4,9% eram obesos e 80,1% tinham
peso normal.
Segundo a pesquisadora, até os primeiros anos da adolescência
os pais exercem muita influência na aparência e no estilo de seus
filhos, sendo em grande parte responsáveis pela insatisfação
corporal na faixa etária mais precoce, aos 6 anos.
O trabalho indica
que, como as crianças e os adolescentes também estão expostos
às influências da mídia e da cultura social, a convivência
com a família e amigos deveria protegê-los da insatisfação
corporal.
"Os pais devem promover um ambiente focado na saúde
e no bem-estar emocional, não para buscar um resultado visível no
corpo, e sim na saúde como um todo", alertou a pesquisadora.
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