| O
primeiro amor
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Graziela Zlotnik Chehaibar Quem
não se lembra do primeiro amor? Coração batendo mais forte,
mãos suadas... a paixão não tem hora nem idade e tem seu
começo arrebatador na infância.
Das bonecas e carrinhos para os recados apaixonados. Esta mudança de comportamento
resultante do primeiro amor acontece, geralmente, entre 9 e 12 anos, justamente
quando a cabeça e os hormônios dos pré-adolescentes estão
"fervilhando". Platônico, por um amigo da escola ou do
condomínio, o primeiro amor exerce um papel fundamental na forma como estes
pré-adolescentes irão se relacionar com as pessoas no futuro.
A paixão adolescente, muitas vezes, deixa os pais aflitos, mais é
importante que os pais aprendam a lidar com o crescimento do filho, já
que esta mudança é o primeiro anúncio de que a criança
está se abrindo para o mundo. Para alguns pais desperta um enorme desejo
de trocas e confidências, porém é preciso verificar se o filho
está disposto a compartilhar ou se prefere o silêncio, já
que muitos deixam em segredo sua paixão. Os pais devem ficar atentos, também,
às alterações bruscas na rotina, já que os sentimentos
podem ser correspondidos ou não, o que pode gerar algum conflito na cabeça
do filho. Quando o pré-adolescente começa a alterar sua
rotina de estudo e de atividades, se isola, ou mesmo quando começa a ter
choros compulsivos, é importante que os pais fiquem atentos para uma aproximação,
onde se abra um canal de comunicação, mesmo preservando o silêncio
da paixão. Conversar sobre as mudanças de comportamentos pode abrir
um caminho para o acolhimento, além de reforçar laços de
confiança. O primeiro amor pode trazer vários benefícios
aos pré-adolescentes e também aos pais, basta aproveitar esta fase
da melhor forma possível, aprendendo a conviver com as conquistas, frustrações
e desilusões. As perdas e o sofrimento são sentimentos pelos quais
todos passam, assim como as alegrias, as emoções e o amor.
O sofrimento faz parte da desilusão, principalmente na adolescência,
que é a fase onde tudo é vivido com intensidade. Se mesmo com a
abertura e conversa dos pais a desilusão tomar uma dimensão maior,
um profissional pode ajudar no entendimento e compreensão dos sentimentos
por ele vivido.
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Graziela Zlotnik Chehaibar é psicóloga, terapeuta familiar, casal
e individual. Doutoranda da Universidade de São Paulo - USP |