| Alunos
singulares, escolas idem Frustração, ansiedade e indecisão sobre as escolhas a fazer são sentimentos comuns em pais cujos filhos têm dificuldades de aprendizagem. Isso costuma aumentar na hora de decidir a escola na qual a criança ou o adolescente irá estudar e é quando se torna fundamental conhecer e avaliar a proposta pedagógica mais adequada às necessidades de cada um. Esse é o momento no qual faz diferença a construção de projetos singulares, isto é, aqueles que respeitam a história de vida e as experiências de cada aluno. Sob esse aspecto, mais do que compreender necessidades individuais tanto na escola como fora dela, é imprescindível haver entendimento das singularidades inerentes à formação do Eu. Trabalhar dessa maneira requer de todos professores, funcionários da escola, direção, pais e demais familiares a capacidade de ter um olhar aberto diante da diferença. Sob esse aspecto vale notar que em projetos singulares não há o aluno diferente: todos o são, o que requer flexibilidade e capacidade de adaptação no projeto pedagógico. Esse conceito o da singularidade deve permear todo o planejamento escolar e não apenas casos específicos, o que pressupõe um olhar capaz de ampliar as metodologias pedagógicas tradicionais. É ir além da sala de aula e da própria escola; é estar aberto à utilização de situações familiares e de outras encontradas no dia a dia do aluno como ferramentas para que a ele seja dada ampla possibilidade de construir seu aprendizado. Cabe ao professor conhecer os fundamentos do conceito singularidade e como ele acontece na constituição do psiquismo. Ao fazer isso, poderá estar apto a utilizar estratégias mais eficazes no trabalho pedagógico, seja em uma escola padrão ou em escolas diferenciadas. Outra característica desse processo é propiciar tanto ao professor como à família a percepção de que o conceito de fracasso do aluno, quase sempre, diz respeito menos à incapacidade dele em enfrentar as dificuldades que possui e mais como a adoção de abordagens inadequadas adotadas até então pela escola. Como ponto de partida, é fundamental haver um sociograma da classe na qual o aluno vai estar; isto é, uma análise que torna possível compreender a afinidade entre os integrantes do grupo e as configurações resultantes do relacionamento entre eles. Funcionários da escola e colaboradores, embora não trabalhem diretamente com a criança ou adolescente, precisar saber que poderão ser chamados a participar do projeto singular, como já vimos ocorrer em inúmeras situações. A participação da família é indissociável de todo o processo e as possibilidades para isso são muitas. Vão desde relatos de experiências capazes de auxiliar na abordagem realizada na escola até o planejamento de condutas e atitudes que podem refletir no aluno. Por
fim, em todos os casos a escola precisa ser capaz de detectar por quais meios
terá acesso a um trabalho mais eficaz com as singularidades dos alunos
que recebe. Essa é uma estratégia cujos resultados estão
vinculados à percepção das singularidades pertinentes a cada
pessoa e que amplia a questão da inclusão, muitas vezes limitada
a práticas de inserção social do indivíduo mas que
nem por isso mostram-se eficazes no processo de aprendizado e desenvolvimento
pessoal. *Nívea Maria de Carvalho Fabrício, psicopedagoga, psicóloga e terapeuta familiar; Vânia Carvalho Bueno de Souza, pedagoga, psicopedagoga e especialista em Mediação e Vera Blondina Zimmermann, psicóloga clínica-psicanalista, professora-adjunta do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e Coordenadora do Ambulatório do Centro de Referência da Infância e Adolescente/Unifesp, são autoras do livro Singularidade na Inclusão Estratégias e Resultados, Pulso Editorial |
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