Os valores humanos na cooperação

Quantas vezes, como educadores, pais ou, simplesmente como cidadãos, não nos deparamos com a preocupação e com a pergunta: "Para onde esse mundo vai?" Quantas vezes não nos colocamos a questão de que esse mundo globalizado cada vez mais cultiva o individualismo, a competição, a falta de ética e que as pessoas estão mais agressivas, violentas até?

E sempre que pensamos no problema, pensamos igualmente que a solução passa pela educação. Mas aí entendemos que temos que criar engenheiros, médicos, advogados, administradores e ensinamos nossas crianças a fazer cálculos, listas, responder questões de maneira lógica e sintética, raciocinar de forma a levar em conta apenas o seu objetivo final. Esquecemos, no entanto, que ali está um ser humano, uma criança, com desejos, sonhos, pensamentos, muito, muito diferentes de um adulto. Então, aos poucos, silenciosamente, sem culpa ou medo, assassinamos essa criança e o tornamos um mini-adulto que não se preocupará com a ética, tampouco se importará em ser individualista, agressivo e extremamente competitivo, pois ele nos dirá sempre: "Só estou fazendo o que aprendi. Serei um médico, um engenheiro, um advogado, enfim, serei um vencedor, não importa como, nem quem eu tenha que superar. O que importa sou eu".

Mas será que este futuro adulto será o médico que salvará vidas, o engenheiro que construirá prédios seguros, o advogado justo? Talvez sim, talvez não. Mas com certeza nós seremos os responsáveis por eles e pelo que se tornarão. Se seremos os responsáveis porque então aliados aos cálculos, às fórmulas, às listas, não ensinarmos ética, não-violência, respeito, co-responsabilidade, cooperação? Por que não pensarmos que acima de tudo essa criança tem que ser criança, que esse adolescente tem que ser adolescente e que serão adultos melhores e mais felizes se vivenciarem atitudes que correspondam aos valores humanos da cooperação, da solidariedade, do companheirismo? Será que aí não teremos os médicos atenciosos que não nos deixam sem atendimento quando precisamos, os advogados que oferecem justiça, os engenheiros preocupados com segurança e qualidade de vida ou...simplesmente adultos felizes e contentes consigo mesmos que todos queremos ser?

São estes aspectos que podem ser vivenciados nos jogos cooperativos de tabuleiro. Como educadores, pais e aprendizes que somos temos a obrigação de propiciar essa possibilidade para crianças e adolescentes. Através desses jogos eles podem resgatar o lúdico no processo de aprendizagem ao mesmo tempo em que vivenciam valores humanos e refletem sobre o mundo que vivem e sobre o homem como um todo. Além disso é uma vivência de respeito, colaboração e entendimento em que entram não só os aspectos cognitivos e conceituais, mas de atitude em relação ao outro. É a aprendizagem sob a ótica e a ética do consenso, ouvindo o outro e respeitando a sua opinião, mesmo que ela seja diferente. Ou seja, ao mudarmos o foco da competição para a cooperação incentivamos, através dos jogos de tabuleiro, a criança e o adolescente a pensarem no grupo e não somente em si. Compartilhando suas idéias, experiências, dúvidas, inseguranças e percepções recuperam o sabor do saber e o lúdico na aprendizagem!

Assim, sensibilizamos estes seres humanos a pensar no mundo em que vivem e em que mundo querem viver. Com a esperança de que estes percebam que a cooperação é a poesia das relações humanas.

Fábio Luiz de Mello Martins
Prof. de Língua Portuguesa da Escola Verde que te quero verde...
Focalizado dos Jogos Cooperativos de Tabuleiro do Projeto Cooperação

farical@uol.com.br

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