Sala Vazia

Volta à escola.
Entra na sala de aula.
Está vazia...


Tudo em seu lugar,
há uma perfeita ordem.
Só não estão presentes as crianças,
as crianças alegres, irrequietas,
crianças barulhentas, buliçosas
de quem cobraste, tanta vez, silêncio.

Por que entristece o teu olhar, agora
que as crianças, em bando, foram embora
e um nó na garganta te estrangula a fala?

É essa ausência amarga que incomoda...

Não há ninguém para quebrar a disciplina.

Pede que alguém converse.
Ninguém responderá à tua chamada...
Levanta a voz de novo, embora agoniada,
e reclama e condena e repreende e protesta,
que já não é mais o barulho o que perturba,
mas, é esse silêncio triste que molesta.

Se não há mais barulho, deve haver descanso,
mas, é um descanso triste, um descanso que cansa...

De que serve o silêncio,
se não há mais criança
e isso te faz crer que acabou a esperança?...

 



Sólon Borges dos Reis
membro da Academia Paulista de Letras e Presidente do Instituto de Estudos Educacionais.

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