O dia delas - o nosso dia

Mônica R. Santos*

O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março. Não vou falar das conquistas políticas, sociais e econômicas delas (nossas, de nossas mães e avós...) pelo mundo. Vou falar de como elas são (e sempre foram) importantes na vida de cada ser humano e, exatamente por isso, devem receber homenagens todos os dias, não apenas em 8 de março.

Também não vou falar de questões existenciais, nem da questão da maternidade ou do "instinto materno" - que não tenho certeza se existe de fato, mas que também não quero discutir neste momento. Pelo contrário, falarei das mulheres como seres humanos que devem ser respeitados como tal, que devem ser tratados como tal. O ser humano, tanto o homem quanto a mulher, merece viver: ter condições de se sustentar, ter acesso à saúde e à educação, ter família se isso é seu desejo ou não tê-la se esta for a escolha. Basicamente isso.

Estou aqui não como redatora da revista eletrônica Ao Mestre com Carinho. Venho como leitora, mulher e colaboradora que admira este veículo, mas que também admira e respeita os que lutam diariamente - enfrentando as dificuldades, vivendo as alegrias, sofrendo, chorando, sorrindo, cantando... mas com um olhar, hoje, especialmente voltado a ELAS!

No Brasil, o número de mulheres supera o de homens. Não é preciso ir aos censos para observar tal fato: nas ruas, nos bares e em muitas outras situações elas são maioria visível. Infelizmente, porém, elas são, ainda, desrespeitadas em casa (a dona-de-casa que trabalha - e muito! - para cuidar de toda família...), no trabalho (acreditem ou não, mas mulheres ainda ganham menos que homens em determinados segmentos, mesmo ocupando os mesmos cargos; outro exemplo é o das faxineiras e empregadas domésticas - profissionais vistas com olhares preconceituosos), no trânsito frenético da cidade (nos xingamentos e desrespeitos às motoristas). É para ELAS este pequeno texto, tímido, inseguro, mas sincero.

Elas não são perfeitas - nem o poderiam ser, afinal, somos todos humanos - mas merecem muito respeito, carinho, dedicação, cuidado...

Em nome da equipe Ao Mestre com Carinho parabenizo todas as mulheres - em especial às nossas professoras, mães, avós, filhas - pelo Dia Internacional das Mulher (que deveria ser celebrado todos os dias!).


A brusca poesia da mulher amada (III) - Vinícius de Moraes

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a
bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco
quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!

*Mônica é Bacharel em Letras. Trabalha como redatora da revista Ao Mestre com Carinho e hoje decidiu colaborar não como redatora, mas como leitora da revista.

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