| A
capa  Gilka
Pierry Coimbra g.pierry@terra.com.br No
desejo de renovar as esperanças pensei que teria de renovar as idéias,
os amores, os encontros, a família, o trabalho, a vida enfim.
Ficaria
com outra "cara" - mais atual, mais alegre, mais suave, mais sutil...
até, quem sabe, mais charmosa?
A necessidade de renovação
estabelecia cumplicidade comigo mesma durante as reflexões repletas de
discernimento e estratégias mirabolantes que, com certeza, me levariam
a outro lugar.
Precisava sair da mesmice, da inércia do cotidiano...
Isso, entretanto, não é tarefa fácil! Teria que "desestruturar"
minhas próprias estruturas, revelar meus desejos e medos, rever meus conceitos
e crenças. Até mesmo, dependendo do ângulo analisado...meus
princípios e normas. Invadir a vida com curiosidade, destreza e
bom-humor!!
Precisava, entretanto, iniciar por algum ponto, e esse deveria
ter significado. Algo como um marco a relembrar, diariamente, as minhas intenções
existenciais contemporâneas...
Precisava ser de uma concretude significativa,
pois sustentaria as outras mudanças. Precisava ser firme, forte, radical
e, principalmente, rápido para iniciar a renovação necessária.
Por
que não renovar o sofá da sala?
Por que não?
Não
seria um bom marco? Estaria sempre ali, presente, instalado como uma sentinela
a resguardar minhas desafiadoras intenções.
Não é
bem assim que trocamos as cores, as formas, o estilo...
O sofá
da sala é o primeiro ambiente... é nele que recebemos, é
a primeira porta que abrimos para o aconchego de nossas esperanças, nossas
idéias, nossos amores, nossos encontros, nossas famílias, nossa
vida.
Se a idéia é estabelecer de forma rápida e
eficaz um link para outra dimensão renovada, por que esperar?
Uma
capa para o sofá seria a solução mais viável e alcançaria
com mais presteza a renovação pretendida.
Comprei a capa
e iniciei a mudança.
É claro que não tão rapidamente
como imaginava, mas sentindo-me mais confiante, afinal pode-se não notar,
mas eu sei que embaixo da nova capa está o meu velho e conhecido sofá. |