| O
essencial e o fundamental  *Cristina
F. Mello tina.pedagogia@gmail.com
Acordar
de manhã e estar feliz, naturalmente linda e magra é o sonho de
consumo de toda mulher. Pois bem, no meu caso, acordei com o rosto inchado, com
dor de cabeça, pensando em que corte de cabelo fazer para combinar com
a cor vermelha que coloquei anteontem em sinal de súplica por dias melhores,
e levemente acima do peso - Eu disse: levemente!
Mulher é mesmo
difícil de entender.
Natural que ela queira estar eternamente apaixonada,
com a roupa mais linda e confortável do mundo, com os cabelos sempre sedosos,
a pele macia e a jóia mais discreta e ao mesmo tempo mais provocadora da
inveja alheia!
O que restou como consolo? Escrever. Peguei este hábito
de uns tempos pra cá e confesso que vem servindo de terapia já que
o analista está muito caro e não sei se estou bem preparada para
ouvir o que ele tem para me dizer!
Quando a gente escreve começa
a prestar atenção em tudo, todo e qualquer movimento faz sentido
e vira motivo para algumas palavras rabiscadas no papel usado para rascunho. E
rabiscar palavras ao invés de digitá-las também tem feito
parte da minha rotina. Havia até esquecido como a minha letra cursiva me
caía bem! Mas então, estava eu no cabeleireiro, quando li uma reportagem
bem interessante sobre uma nova onda - a de viver de forma simples.
Andam
falando em simplicidade voluntária, que para Duane Elgin, "é
uma maneira de viver exteriormente mais simples e interiormente mais rica, um
modo de ser no qual nosso eu mais autêntico é posto em contato direto
e consciente com a Vida." A palavra chave é - AUTONOMIA, ou seja,
ter liberdade para não ser escravo do Ter.
Os anos 20 foram os propulsores
desse aceleramento que vivemos hoje. Com o passar dos anos as pessoas foram percebendo
que era preciso desacelerar. Nos 60 e 70 movimentos hippies já buscavam
enaltecer o amor e a simplicidade. Na década de 90 Domenico de Masi vendeu
feito água o livro "Ócio Criativo", mas nem tanto ao céu
nem tanto a terra, a simplicidade que vem rondando este século não
precisa viver de amor e uma cabana! Ela apenas diz que não temos que ser
escravos do que possuímos.
Entre tantas coisas ali descritas uma
me chamou mais a atenção: o saber diferenciar o essencial do fundamental.
Essencial é aquilo que não se pode viver sem e o fundamental seria
aquilo que serve de "escada" para se manter. Aproveitando o viés,
acho que ando buscando essa onda de simplicidade. Nossa relação
começou de forma violenta, quase como um estupro, mas vem ganhando espaço
e transformando minha mente. Fundamental para mim é: ter um emprego - portanto
dinheiro, ter morada, vestimenta. Agora o essencial seria: o ar, o alimento, a
saúde, o amor, a fé, o conhecimento e os amigos! Não uma
tropa! Mas poucos e bons!
Buddha já dizia:"Para ser feliz,
o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração
e ter bons amigos."
Amigo mesmo é aquele que sabe todos os
nossos defeitos - e veja você, ainda assim nos aceita do jeito que somos!
Amigo é aquele que perdoa o que é imperdoável, porque o que
for perdoável é fácil, agora o que não tem perdão
é bem mais complicado e requer um coração muito grande e
humano.
Amigo é aquele que gosta de você e pronto, você
pode estar "pelado", distante por um longo período ou numa fase
muito estranha e mesmo assim continuará sendo amigo - fazendo votos de
pronto restabelecimento e conservação dessa amizade. Vivo momentos
de comunhão com poucos e bons amigos. Nas noites em que nos encontramos
afogamos tristezas nas taças de vinho e brindamos a alegria e a vida.
São
6 pessoas, 6 vidas com histórias e origens diferentes, com pensamentos
e sonhos distintos e um desejo em comum: fazer das pequenas reuniões noturnas
um espaço para brincar, rir, botar para fora as dores, compartilhar as
alegrias e vitórias e fazer revelações que até Deus
duvida!
Simplicidade para mim é isso, estar com quem é essencial
brindando a vida! Cristina,
deseja viver de forma simples apesar de achar que uma calça Levi´s
lhe caia melhor do que uma da Ughini, agradece a amizade sincera e teme o que
pode revelar depois da décima taça vinho.
*Cristina
Ferreira de Mello, é acadêmica do curso de Pedagogia do IPA e Coordenadora
de Turno do Colégio João XXIII
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