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A nova consciência da sociedade

postado em 25 de nov de 2018 09:40 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:03 atualizado‎(s)‎ ]

Recentes pesquisas mostraram que 83% dos jovens não querem saber de militância política, que 43% já tinham se envolvido em algum trabalho em forma de voluntariado, e mais de 50% gostariam de se envolver com algum projeto social. Vemos que esta transformação não passa pela política e sim pela ação social.

Mais que isto, dados de pesquisa recente (Ethos-Valor) nos mostram que o consumidor brasileiro de modo geral está dando uma importância muito maior à questão da ética das empresas bem como ao apoio que as mesmas estão dando aos projetos sociais, do que por exemplo um consumidor na Alemanha, onde apenas uma pequena parcela dos consumidores estão preocupados com a questão.

Quando os consumidores foram perguntados se comprariam de uma empresa que estivesse envolvida com alguma forma de corrupção, 74% disseram que não.

Hoje, com a velocidade com que a informação transita, vemos que nossos jovens são massacrados pelas propagandas enganosas e promessas mentirosas de tal forma que o nível de desconfiança está se tornando cada vez maior. Boa parte dos jovens está descrente e temerosa. O consumidor não acredita nas empresas. Desconfiam se as ações das mesmas são uma real preocupação pelo futuro ou se está preocupada em aumentar seu lucro. Este pensamento transforma essa energia da doação, que poderia ser um poderoso agente de transformação do país, num gigante adormecido.

A ineficiência com que governos repetidamente vêm encarando o problema social tem dado espaço para que as organizações não-governamentais se expandam e cada vez mais busquem novas alternativas para poderem realizar seus projetos.

Grandes exemplos, tais como o "Centro Educacional Salda Terra", podem retratar melhor o que estamos dizendo. Criada em 1992, com a creche atendendo 20 crianças no salão da Igreja Santa Ana, na região do Pirajussara, atende hoje 140 crianças, e, além da creche, foram criadas a Pré-escola, Curso de Computação, Inglês, Reforço Escolar, Alfabetização de Adultos, Curso de Auxiliar de Raio X, Curso de Massagem, Biblioteca e Bazar. Conta com a parceria do Instituto C&A, fundação Abrinq e do Comitê Betinho (funcionários do Banespa). ( Veja mais no site: www.projetosaldaterra.com.br)

No entanto, de acordo com uma das voluntárias e fundadoras do Centro Educacional, dra. M. Alice G. de Morais Carvalho, para que se possa dar continuidade aos trabalhos é necessário que novas parceiras sejam estabelecidas. "O novo governo também precisa estabelecer canais de fácil acesso, dando preferência às organizações que já tenham projetos prontos em andamento, que saibam onde querem chegar e que possam crescer corretamente, principalmente num governo cuja base das promessas foi o social", diz.

Quando falamos da energia da doação é preciso que entendamos que a relação de confiança entre a comunidade atendida, a empresa doadora e a ONG (Organização Não-Governamental) seja a mais transparente possível.

É preciso que as ONGs entendam que as empresas podem ser doadoras anônimas ou patrocinadoras, porém é necessário que fique claro o que o doador ou patrocinador, e inclusive a comunidade, esperam da organização. É preciso que as organizações e a sociedade entendam que patrocinar projetos sociais em troca, por exemplo, de uma imagem melhor da empresa no mercado não é crime, desde que esta relação fique clara desde o começo.

Acredito que a nova consciência que se está construindo passa pela educação e também pelo entendimento de que a empresa não é um inimigo da sociedade, se as relações de confiança e comprometimento de todas as partes estiverem claras.

Maria Lúcia Gonçalves Pereira Arquiteta, diretora da Marketplan S/C Ltda

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