Os
beatniks

Os anos 50, nos EUA, foram marcados pela feroz perseguição
ao comunismo. Artistas e intelectuais, como Charles Chaplin, por exemplo,
foram perseguidos por suas idéias humanistas. Após o
final da Segunda Guerra Mundial, a juventude, não só
americana, mas do mundo inteiro, estava muito descontente com as expectativas
sociais em relação à ela. A busca de liberdade
e de novas emoções fez com que muitos jovens se recusassem
a continuar os estilos de vidas de seus pais e colocassem a mochila
nas costas e o pé na estrada. O consumo excessivo de drogas
e o álcool fizeram parte de muitas das viagens daqueles jovens,
que foram apelidados de beatniks.
O
contexto social
No início dos anos 60, os EUA foram invadidos por uma onda
de protestos contrários ao racismo e à Guerra do Vietnã,
que vinha causando profundo descrédito entre jovens, artistas
e intelectuais, defensores da paz. O anti-racismo, que aumentou ainda
mais com o assassinato de Martin Luther King, o black power, o feminismo,
a liberação gay e a difusão da maconha e do LSD
foram acontecendo ao mesmo tempo. Neste contexto surgiu o movimento
pacifista flower power.
O que era
ser hippie
Embora
isso pudesse ter sido um sonho suficientemente grande, não
eram só a paz e a liberdade que os hippies pregavam. Ideais
de vida comunitária e amor livre andavam de braços dados
com velhas crenças como astrologia, tarô e magia. O esoterismo
era a crença religiosa predominante e as religiões orientais,
como o budismo e o hinduísmo, eram valorizadas. Os Hare Krishna
começaram a ganhar força e, no cristianismo, figuras
como São Francisco de Assis e mesmo Jesus Cristo foram revalorizadas,
ainda que fora dos padrões convencionais da Igreja Católica.
O sonho era de um mundo igualitário, próspero, pacífico
e, isto pode soar meio moderno, ecológico. Os hippies questionaram
a ordem estabelecida e conseguiram mudar muitas coisas, sem violência.
E
o que temos a aprender?
Seja pela virada do século, como dizem alguns, quer pela Era
de Aquário, como dizem outros, ou pela evolução
natural da raça humana, é fato que de alguns anos para
cá alguns assuntos tipicamente hippies foram revalorizados.
Nunca deixaram de existir os amantes da vida natural, das filosofias
orientais, dos incensos e mantras, mas não há como negar
que o esoterismo, por exemplo, vem se difundindo.
Importante notar
que há coisas muito que podem ser resgatadas, e das quais o
mundo precisa muito atualmente. Tudo tem características destrutivas
e construtivas. A idéia é que aproveitemos as primeiras
e tentemos entender e evoluir nas segundas. O conhecimento e a discussão
dos ideais dos anos hippies podem servir, e muito, para aguçar
o senso de respeito ao outro e à natureza, ambos tão
agredidos ultimamente. Pode-se aproveitar a deixa do revival hippie
para discutir a violência, a falsa liberdade sexual, o uso de
drogas dentro e fora da escola, os direitos de cidadãos, o
direito de opinião, de uma vida mais saudável. O sonho
não acabou? Ok, então vamos discuti-lo, entendê-lo,
explorá-lo em suas muitas nuances e tirar a melhor lição
que pudermos dele.
Você
sabia?
A frase "Faça o que tu queres pois é tudo da lei",
amplamente conhecida no Brasil pela voz de Raul Seixas, foi verdadeiro
slogan do movimento hippie, além da conhecida "Paz e Amor".
Psicodélico significa manifestador da mente.
Guerra do
Vietnã
A região do atual Vietnã fazia parte da Indochina. Em
1954, a Conferência de Genebra reconheceu sua independência,
bem como a do Camboja e Laos. O país ficou dividido em dois
blocos - o Vietnã do Norte, simpático ao socialismo,
e o Vietnã do Sul, simpático ao capitalismo.
Em 1955, os EUA apoiaram o golpe militar que instalou a ditadura no
Vietnã do Sul, com intenções, principalmente,
de deter a expansão socialista. Fomaram-se alguns movimentos
de oposição, como a Frente de Libertação
Nacional, da qual surgiu o exército vietcong. O Vietnã
do Norte apoiava os guerrilheiros vietcongs enviando alimentos e armas.
O envolvimento
americano
O surgimento dos guerrilheiros, contrários ao capitalismo,
por sua vez, foi fator determinante para a interferência dos
EUA no país, já em guerra. O conflito, que inicialmente
se mantinha restrito ao sul, entre vietcongs e as tropas do governo,
apoiadas pela Casa Branca, foi tomando proporções maiores,
até que, em 1964, sob pretexto do ataque a um de seus navios,
forjado pelos próprios EUA, o exército americano envolveu-se
verdadeiramente na guerra.
O que se seguiu
então foi algo que o mundo não esperava, e muito menos
os norte-americanos. O Vietnã resistiu a 10 anos de ferozes
ataques aéreos americanos, às bombas de alto poder destrutivo
e às armas químicas. Milhares de vietnamitas, civis
e militares, perderam suas vidas. Mas 47 mil soldados americanos também.
O povo americano (principalmente estudantes e intelectuais) posicionou-se
contra a guerra, e uma onda de manifestações pela paz
tomou conta dos EUA o que, aliado às ofensivas do exército
vietcong, fez com que as tropas americanas enfim se retirassem do
país.
Créditos
das fotos:
http://www.leksikon.org/html/dk/king_martin_luther_jr.htm
- Martin Luther King
http://www.hipmarket.com/posters/60s.htm
- Easy Rider
http://hipmarket.com/posters/drugs.htm
- fusca psicodélico