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Tarô
- autoconhecimento através de 78 cartas
por Lara Borriero Milani "Quem
olha para fora, sonha;
Para uns, mero jogo de adivinhação. Para outros, instrumento para o autoconhecimento. Com certeza, o Tarô tem adeptos e inimigos, crentes e céticos. No entanto, a visão estereotipada do conjunto de cartas mais antigo que se conhece, como "coisa de cartomante" ou mesmo como simples meio místico de previsão de futuro, há muito perdeu seu valor, principalmente após os estudos do psiquiatra suíço Carl G. Jung. Atualmente considera-se o Tarô como um conjunto de cartas repletas de símbolos e arquétipos, ligados às profundezas de nosso inconsciente. A origem do Tarô é desconhecida. Há inúmeras teorias sobre isso. Na verdade, nenhuma delas comprova ao certo de onde ele veio. Sabe-se que essas cartas eram populares na Europa do Renascimento, como cartas de jogar ou de adivinhação, mas não se sabe como foram parar lá. Até hoje existem associações de jogadores que usam as cartas em jogos de azar, como usamos aqui o baralho normal. O Tarô é formado por 78 cartas, divididas em 22 Arcanos Maiores, que incluem as cartas da Roda da Fortuna, da Morte, do Louco, por exemplo, e Arcanos Menores, 56 ao todo, formados pelos quatro naipes - Copas, Ouros, Espadas e Paus (os nomes dos naipes podem variar). É dos Arcanos Menores que se originou o nosso baralho comum, com seus naipes, Rainhas (Damas), Reis e Valetes. Dos Arcanos Maiores, o baralho moderno só herdou, curiosamente, a carta do Louco, chamada agora de Coringa. Existem tarôs muito antigos, como o Visconti-Sforza, do século XV, exposto na Biblioteca Pierpont Morgan de Nova Iorque; mas, dentre eles, o mais utilizado é o Tarô de Marselha, com figuras medievais. É ele a referência de todos os tarôs que conhecemos hoje. A representação das cartas é puramente imagética e pictórica - múltiplas cores, formas geométricas, figuras da natureza, personagens, objetos e animais. E, apesar dos muitos livros, artigos e textos explicativos sobre os significados do Tarô - reflexos da sociedade em que a comunicação verbal predomina -, as cartas ainda são e sempre serão símbolos a serem decifrados. As interpretações e combinações de cartas são infinitas, pois cada pessoa pode enxergar um só significado em determinado símbolo, ou mesmo ignorar outros e eleger uma só mensagem como a mais importante. Aleatoriamente, as revelações das cartas surgem diferentes a cada jogada - e é aí que reside a riqueza do Tarô. Não que não haja atualmente uma certa convenção do que diz cada carta, mas, mesmo assim, as imagens podem falar muito mais do que qualquer teoria, pois foram elas que resistiram ao tempo - e somente elas. Nesse sentido, uma consulta ao Tarô, voltada ao autoconhecimento, não mostra fatos ou acontecimentos futuros. Ela revela, sim, aspectos de nossas vidas que precisam de atenção. Além disso, as cartas podem dizer mais sobre momentos que vivemos e de que, muitas vezes, não conseguimos ter uma dimensão ampla. Por isso, o conjunto das 78 cartas pode ser usado não só pelos "iniciados" ou "iluminados", mas por qualquer pessoa que se proponha a uma visita mais profunda dentro de si mesma. Hoje existe uma série de tarôs, voltados a diferentes propósitos - modernos, antigos, xamânicos, mitológicos, egípcios. Todos seguem, de uma certa forma, a mesma base simbólica. Isso significa que a carta da Torre, por exemplo, na maior parte dos tarôs aparecerá como uma torre fulminada, em queda, arruinada. Portanto, independente do Tarô a ser escolhido - e geralmente os gostos variam muito de pessoa para pessoa -, o importante é mergulhar na imagem e deixar que ela nos remeta a lembranças, imagens e correlações com aspectos de nossa vida para que procuramos resposta. No mercado, há interessantes estudos sobre o Tarô, analisando-o à luz de diversas linhas, de Ocultismo à Cabala, de Psicologia à Astrologia. Escolha a que mais se identifica e... boa sorte! |
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