Quem dança seus males espanta - na terceira idade também

Por Márcia Busanello - da redação do AMcC

Um exemplo e tanto O Tango O que a dança fez por eles? A música regenera

Freqüentemente nós, aqui da redação do AMcC, discutimos por longo tempo um assunto antes que ele seja levado até você, caro professor. As idéias são tantas que os assuntos vão e vêm, às vezes são esquecidos e depois voltam à baila, algumas vezes são trabalhados e tão interessantes que resolvemos tratá-los novamente. Isto acontece muito com assuntos como infância, projetos educacionais, saúde, entre outros. Terceira idade é um destes assuntos que sempre voltam à tona. Da última vez em que o discutimos, eu havia acabado de reencontrar um casal amigo, com quem tive o prazer de estudar Tango durante 3 meses. Pouco aprendi da complicada dança neste tempo (só conseguia dançar com o professor), mas muito aprendi da vida.

Um exemplo e tanto

Este casal eram Célio, 72 anos e Maria Alice, 74. Dançam tango como poucos. Ela de vestido colado e curto, com franjas, as pernas de fazer inveja a muitas moças de 30 anos, ele de camisa de seda e sapato bicolor, sempre cheiroso e bem penteado. A dança dos dois é perfeitamente sincronizada, um é a extensão do outro e fazem coisas que, confesso, eu e os colegas de turma, apesar de termos metade da idade deles, não conseguíamos fazer. A primeira vez que os vi dançando fiquei maravilhada, pensei que tivessem dançado Tango a vida inteira, mas estava enganada.

voltar

O Tango

Começaram há 12 anos, quando estavam, ambos, com uma certa idade já, os filhos e os netos criados. "Fomos para o Tango porque as outras danças nós já conhecíamos. Sempre gostamos de dançar muito.", contou-me Célio, " Íamos muito a bailes, e lá pela meia noite as orquestras, tocavam meia hora de tango, nós ficávamos vendo os casais dando aqueles rodopios lindos e pensando em um dia aprender. Aí vieram o casamento, os filhos, os netos, até que em 89 recomeçamos e fomos justamente aprender o que não sabíamos. Não se aprende tango em 24h ou em um mês. É preciso anos até, para dançar bem.", completou.

Célio é funcionário público aposentado e Alice, além de cuidar da casa, lê Tarô desde os 11 anos de idade. São duas pessoas maravilhosas, alto astral, de bem com a vida. Eles são a prova de que é possível envelhecer com alegria e tranqüilidade. Célio acha que não há idade para começar as coisas. "Até minha faculdade eu fiz depois de uma boa idade. Fui fazer Ciências Contábeis em 1980. Os colegas, bem mais jovens, iam para o botequim e eu ia buscá-los para a aula. Depois da aula eu ia à batucada com eles, era muito gostoso. Alice ficava em casa cuidando do neto e do Tarô, uma herança da sua Tataravó, que foi passando de mãe para filha. Ela também teve vontade de estudar, mas estas duas coisas, lhe tomavam todo o tempo, ela tinha muitas clientes por dia, acabou não conseguindo se dedicar aos estudos. "

voltar

 

O que a dança fez por eles?

Perguntei se eles acreditavam que a dança os havia ajudado a entrarem na terceira idade melhor do que a maioria das pessoas. A resposta? Não só os ajudou a entrarem na terceira idade como também a ficarem muito mais unidos. "Sim, depois de um certo tempo de dança, é preciso cumplicidade, um tem de olhar para o outro e pelo olhar ir fazendo os passos. É uma quantidade tão grande de passos e volteios que você precisa estar unido. Somos casados há 51 anos e o Tango sempre foi um desafio para nós." Os dois, ao longo destes 12 anos, já estudaram com muita gente famosa, passaram temporadas em Buenos Aires, estudando nas mais tradicionais escolas.

Mas não é só de tango que eles vivem não, aliás, a vida social do casal é de fazer inveja também. Saem para dançar, fazem jantares com grupos de amigos cuja média de idade é 60 anos. Há pessoas, nestes grupos que saem para dançar, com 90 anos de idade. Ambos concordam que "saindo, indo num baile, conhecendo gente, você tem estímulo para se vestir, para se arrumar, para estar sempre bem. Se você é um aposentado e não sai de dentro de casa, não sai da frente da televisão, você envelhece mais depressa, entra em depressão, só se levanta para ir à geladeira. Isto desmotiva".

voltar


A música regenera

"Quando começamos a dançar, arrumávamos um espaço aqui dentro de casa, às vezes começávamos a dançar às 22h, recolhíamos os tapetes, afastávamos o sofá e dançávamos até a meia-noite." Não é à toa que os dois estão sempre em forma. Além do mais, para eles a música tem o poder de regenerar, de reduzir o cansaço e o stress. "A prova disso são os inúmeros casais, bem mais velhos do que nós, que vemos dançando nos bailes. E não é só o Tango não, qualquer dança. Quem dança seus males espanta".

E que conselho eles dão para quem está se aposentado? "Não ficar em casa na frente da televisão, engolindo tudo o que mostram. Tem de sair, participar, fazer amigos, entrar num clube, conversar, bater papo, trocar idéias. Isto faz a gente viver". Alguém duvida de mais de 70 anos de experiência de vida?
voltar

Onde aprender a dançar

Voltar para a Seção Alternativo
Voltar para a Página Principal